Arquivos
 12/02/2012 a 18/02/2012
 19/06/2011 a 25/06/2011
 20/02/2011 a 26/02/2011
 17/10/2010 a 23/10/2010
 25/07/2010 a 31/07/2010
 11/07/2010 a 17/07/2010
 28/02/2010 a 06/03/2010
 21/02/2010 a 27/02/2010
 24/01/2010 a 30/01/2010
 13/12/2009 a 19/12/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 28/06/2009 a 04/07/2009
 29/03/2009 a 04/04/2009
 22/03/2009 a 28/03/2009
 15/03/2009 a 21/03/2009
 08/03/2009 a 14/03/2009
 01/03/2009 a 07/03/2009
 15/02/2009 a 21/02/2009
 09/03/2008 a 15/03/2008
 17/02/2008 a 23/02/2008

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis




Blog de edith
 


 

SuperCiber - uma utopia do século XXI

 

Edith Cavalcanti

 

“SuperCiber”, prefaciado pelo autor. Ciro Marcondes Filho, é uma utopia como muitas outras que a antecederam. Ela pretende, em essência, significar a nova civilização que se inicia. Nela o cibercapitalismo é visto como o ápice do capitalismo, sendo a classe virtual o fator principal de sua concretização.

É de McLuhan a seguinte frase: “A nova interdependência eletrônica recria o mundo da imagem de um vilarejo global."

Esse autor controvertido já falava sobre os meios que o homem engendra para articular o processo básico da sociedade onde vive. Na obra de McLuhan o que sobrevive “é a ênfase dada à importância da passagem de uma civilização moldada segundo os padrões de comunicação pela palavra impressa para uma outra, nossa contemporânea, cujo ponto focal é a dominância dos meios de comunicação de base eletrônica. Esse caráter comunitário de grande envolvimento social transforma o mundo em um vilarejo. Tudo que vincula o homem a outro homem na sociedade atual, a t.v., o computador, todo o processo eletrônico que nos cerca, é visto por esse autor como extensões do homem”. E é isto realmente que nos introduz na era cibernética na qual estamos vivendo, onde somos definidos pela conjunção de máquinas, equipamentos, sistemas, programas,comportamentos, e modos de viver e pensar virtuais. Mas nem por isso deixamos de estar subordinados ao retorno de grandes utopias e é essa associação que vai definir o século XXI.

A utopia da cibernética é a capacidade de potencialização humana onde o indivíduo pode se apossar de tudo, até do universo. Neste imaginário o homem pode criar mundos que funcionam sem as pessoas, utilizando clones biológicos e imagens virtuais. Essa capacidade de potencialização è que vai nos remeter à Nietsche. Esse paralelismo pode ser encontrado em várias idéias nietscheanas. A obra de Nietsche “Assim falou Zaratrusta”! se baseia em grande parte na idealização do super homem que se embasa nos conceitos metafísicos da “vontade de poder” Essa criação de Nietsche tem sido vista por muitos autores como a ideologia política que mais tarde culminaria na concepção fascista de Mussolini ou na nazista de Hitler

A cibersociedade corresponde a uma vivência em que as relações humanas passam quase totalmente pelo computador e pela rede.Até terapias são feitas pelo computador. Nesse processo não há uma análise para se encontrar as causas de uma patologia. Na realidade não passam de uma ajuda ou melhor diríamos, de uma recomposição como se faz com peças estragadas de qualquer aparelho.São formas semelhantes de recondicionamento. Alguns terapeutas usam maneiras semelhantes de tratamento, o que de certa forma autoriza ou explica a aceitação desses métodos pela televisão.

Até a sexualidade, que é o paradigma das relações humanas, é intermediada pelo computador em experiências de sexo pela rede, podendo chegar ao estupro visual.Isto pode levar à indagação: Como se pode analisar o que é fidelidade? .O que há nesse jogo de sexualidade através da Internet? Há aí, simplesmente um aspecto lúdico? Afinal, a infidelidade se define simplesmente pela prática ou está implícita na aceitação prévia do ato sexual?

 

Na Superciber vemos surgir uma nova teoria de classes, Na criação da classe virtual alguns autores vêem uma reelaboração da antiga teoria de classes. Na fusão dos projetos da sociedade cibernética com a ideologia nietscheana alguns autores consideram que “a vontade de virtualidade” substitúe a “vontade de poder” enunciada por Nietsche.

Na descrição do cibermundo não há como não ver uma nova tentativa de totalização”.

É na criação da classe virtual que alguns autores vêem uma reelaboração desse sistema.Tendo considerado as utopias atuais se dividindo em abertas e fechadas, o autor colocou o modelo aberto da teoria do caos como sendo o mais válido para uma nova interpretação do mundo. Considera que o caos não é ausência de ordem  mas sim, uma flexibilização na busca de ordenamento. Com a interseção de mais complexidade advinda da inclusão de mais informações verifica-se um novo conceito de ordem, a ordem no caos. Dessa flexibilidade dentro de informações extremamente complexas pode advir um novo tipo de evolução

Mas é na fusão dos projetos da sociedade cibernética com a ideologia nietscheana que muitos autores consideram que a “vontade” de virtualidade” substitue a a “vontade de poder’ enunciada por Nietsche. Esta idéia também se baseia na idéia de infantilização da audiência imposta pelas telas do computador e mais especialmente pela TV. Há uma sedução que advém da imagem. O espectador não é convidado a pensar, a refletir. A própria igreja católica usava esse recurso para conquistar e seduzir os seus fieis, numa forma específica de  alienação. As catedrais eram veículos destinados à difusão de suas idéias através das cores dos seus vitrais, da difusão da luz, do uso da música e, mesmo das formas arquitetônicas. Ler não era atividade destinada à plebe, mas de preferência ao clero e aos poderosos.

 Em conclusão, a classe virtual é o produto final da tecnologia e da biologia .O resultado mostra que nada mudou e a conclusão é que a atingimos um capitalismo mais avançado que alguns autores chamam de pancapitalismo.

Não é demais lembrarmos de algumas idéias de Thheodor W. Adorno sobre a televisão: ”a industria cultural tendo à frente a televisão reduz os homens ainda mais a formas de comportamento inconscientes”. Isto se baseia principalmente no caráter essencialmente subliminar da transmissão das mensagens televisivas.” Ela impede a formação de indivíduos autônomos independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente.” Esta é a base para a formação  de um regime político sem opositores,isto é, um regime totalitárIo.

No nazismo, a idéia central é a purificação.da sociedade. A utopia cibernética vai além. Não interessa  mais a idéia da purificação da raça, mas sim a purificação da humanidade transformada em uma superhumanidade pura.

 

O filme “Super Homem-O Retorno” que está em exibição em todos os cinemas de S.Paulo, é a visão cibernética de nossa sociedade, onde:presenciamos a criação utópica  de um herói fisicamente perfeito e imbuído das melhores intenções para ser o salvador da humanidade e praticamente imortal. Esse herói transita num mundo da mais alta tecnologia . Assistindo o filme é quase impossível esquecer a proposta de Nietsche:o super homem e seu eterno retorno....

 

 

   Bibliografia:

Ciro Marcondes Filho  SuperCiber

Editora  Eca/Usp  apoio –Àtica Shopping Cultural

Friedrich Nietsche-ECCE HOMO

Editora Martin Claret    2001

Friedrich W.Nietsche

Assim Falou Zaratustra

Editora Bertrand Brasi   1987

Gabriel Cohn  Comunicação e Indústria Cultural

Editora  Universidade de S.Paulo  1971

James Gleick Caos  

Editora Campus 1990

 

 

 

 

 



Escrito por edith às 16h04
[] [envie esta mensagem
]





 

"SuperCiber"

Conclusões após a leitura da obra

Edith Cavalcanti

Tendo terminado a leitura de “SuperCiber” prefaciado e escrito por Ciro Marcondes Filho, gostaríamos de colocar alguns comentários como um adendo ao texto interpretativo que já escrevemos.

Em tese, estamos de acordo com a teoria elaborada pelo autor que define a sociedade atual como essencialmente alienada. Mas gostaríamos de colocar que não estamos totalmente incluídos nessa afirmação, no que tange à real interpretação dos fatos. O autor considera que os meios eletrônicos são a contribuição maior para o processo social que não visa à formação de indivíduos conscientes, livres para a tomada de decisões.

Estamos de acordo na afirmação de que a TV e a Internet são fatores importantes na elaboração da cultura atual, mas divergimos em relação à interpretação drástica colocada por Ciro Marcondes Filho.

Há como diferenciar o uso da televisão e do computador se levarmos em consideração os diversos tipos de pessoas que os utilizam. Ambos podem, realmente, se tornarem alienantes, se forem usados somente como passatempo, com a finalidade de olvidar os problemas pessoais ou públicos como as tragédias da sociedade. Ver filmes, especialmente os americanos, shows, programas de auditório de nível vulgar, são coisas muito diferentes de fazer pesquisas, assistir entrevistas interessantes sobre assuntos políticos ou informativos sobre saúde, educação, etc.

As telas são, na realidade, uma janela aberta para o mundo. É preciso compreender que o computador, por exemplo pode ser um objeto destinado a ter uma influência enorme na educação ao transmitir arte, ciência, a cultura de forma geral.

Esta visão dos objetos eletrônicos como fatores alienantes, parece-nos relacionada com a visão de mundo de McLuhan na década de 70. Hoje o que não podemos negar é que eles estão totalmente integrados no cotidiano das pessoas, mesmo admitindo que são um potencial ainda mal resolvido. A questão é outra: será que eles são um mal em si ou não são utilizados de maneira inteligente?

Aliás, em referência ao cinema, o que podemos dizer, é que mesmo quando o filme é uma fantasia precisamos admitir que o homem nunca poderá abrir mão da sua capacidade de sonhar porque isto é inerente à personalidade humana. As telas do cinema não só propiciam esse ensejo como trazem muito da problemática existencial que pode ser discutida após a exibição quando o filme envolve assuntos interessantes Creio que mesmo as novelas exibidas pela televisão podem se incluídas nesta visão.

Diríamos que, segundo a nossa percepção atual, o que há de mais alienante na sociedade brasileira é o futebol. Chegamos à conclusão que este é que deveria ser fator de estudos por parte de psicanalistas, psicólogos, artistas, enfim de todos os que estão interessados na construção de seres humanos que saibam pensar e agir conscientemente dentro de uma intensa liberdade de pensamento. O que estamos observando é a formação de hordas de fanáticos que mesmo após os jogos ficam discutindo detalhes de competições futebolísticas durante horas e dias, apoiados por uma mídia engajada. Faz-nos pensar no tempo dos cézares que diziam que para o povo bastava pão e circo.Será que o futebol não é utilizado para que o povo deixe de pensar no problema máximo do Brasil, isto é na falta de ética que domina a política nacional?   Onde vemos interesse em analisar porque estamos envolvidos num mar de lama na política brasileira, o que já se tornou aceitável e mesmo perdoável pela maioria? E note que não estamos falando sobre a violência das torcidas após os jogos.Isto é um mal menor...

 

 

 

Para finalizar podemos dizer que saber usar os progressos advindos da ciência eletrônica tem que ser o objetivo principal dos formadores de opinião.

 

 

  A solução só pode vir de uma única diretriz:a formação de indivíduos baseada na criação de mais escolas, mais estudos que os habilitem a  pensar e a ter um senso crítico capaz de formar uma autentica personalidade. Isto seria o fim da ridícula e absurda distinção elite/massa.Todo o progresso gerado pelo desenvolvimento técnico precisa ser canalizado para essa finalidade e não execrado como um malefício. Ele jamais substituirá os efeitos de uma leitura, mas é inútil negar que está dominando a mentalidade atual. Resta perguntar: Como resolver isso?

 

 

´Consideramos importante citar a Cátedra Unesco José Reis de  Divulgação Científica, da Eca, USP,  que se propõe formar divulgadores científicos  utilizando todos os meios atuais  empregados pela media como TV,  Internet, radio, fotografia  etc.

 

 

 

 

 



Escrito por edith às 15h59
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]