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Blog de edith
 



                                                                                 Vida e Morte

      O  professor Crodowaldo Pavan morreu.

      Eu o conheci pessoalmente ao fazer o Curso de Especialização “Teoria e Prática da Divulgação Cientifica” promovido pelo “ Nucleo José Reis de Divulgação Cientifica da ECA/USP em 2006. Todas as noites eu o encontrava na Secretaria do Curso, antes da aulas. La estavam, tambem,  a Dra. Gloria Kreinz e o prof Osmir Nunes que se tornaram além de amigos, pessoas de relevante importância na minha vida. Era um local muito agradavel pois alem dos funcionarios, estudantes já graduados na mesma área, tive a oportunidade de conhecer de perto varios professores do Curso.
       Eu tenho hoje 87 anos  e estava na época atravessando problemas familiares dificeis pois  cuidava de uma irmã portadora de mal de Alzheimer. Fazer esse curso foi um derivativo para o sofrimento que eu estava enfrentando, e foi lendo a coluna de Julio Abramczyk, na Folha de S.Paulo que eu encontrei comentarios sobre o Curso que eu procurei imediatamente.
   Sempre gostei de Comunicação . Fui colunista da  Ilustrada ( Folha de S.Paulo) por vários anos e fiz um mestrado não concluido nesta área na  ECA/USP. Tive problemas gravíssimos com meu orientador, problemas esses que na época não consegui superar.
   Atualmente tenho vários netos que estão se sobressaindo  em diversas áreas da cultura e meu marido ex professor da USP ( S. Francisco) prof Teofilo Cavalcanti  deixou um nome que até hoje é respeitado. Sendo jornalista da Folha de S.Paulo publicou mais de 1600 cronicas  e fundou  uma coluna de Direito que até hoje é mantida.
   Tenho uma neta, Luciana Pompeia Cavalcanti, pós-doutourada em Astronomia, que está atualmente na Belgica trabalhando em pesquisas, que diz que eu deixei como exemplo, pricipalmente a idéia de que não existe idade para se fazer o que se deseja. Ao entrar na FAAP para fazer o CURSO  de Artes Plásticas eu tinha 49 anos e era somente uma dona de casa com 5 filhos. Eu era a única aluna daquela idade no meio de jovens. Foi um dos meus marcos na vida.  Desse período guardei a conclusão de que são os mais velhos e não os jovens que criam barreiras na comunicação. Passei lá anos felizes, vi trabalhos meus serem aceitos em varais exposições de Museus importantes de S. Paulo. Como meu marido não aceitava a minha incursão no dominio da artes  voltei-me para os Cursos de Comunicação.
   Depois de uma longa trajetória onde percorri varios caminhos diversificados de repente eu estava de volta aos estudos de Comunicação. Este foi, talvez o marco mais importante da minha vida atual.

   Eu conhecia o professor Pavan por referência  de minha filha Ana Maria Cavalcanti Lefreve, hoje também casada com um professor da USP que fora aluna e grande admiradora do professor  nos idos de 1960/70, na Faculdade de Biologia, USP.

   Ao falar na morte do prof. Pavan preciso me referendar ao meu analista durante muitos anos, porque este escrito tem também a finalidade de marcar as pessoas que influiram muito na minha vida: Marcio Peter de Souza Leite, psiquiatra e psicanalista lacaniano da Escola Brasileira de Psicanalise onde fiz aminha formação de psicanalista e a qual  estou ligada até hoje.
Ao tratar do problema da morte durante minha analise, meu analista concluiu que as minhas ideias sobre a morte constituiam a maior negação da morte que já conhecera.
 Até hoje eu reflito sobre isso mas acho que a minha maneira de pensar não mudou. Como desde jovem eu concluira que a única coisa imutavel na vida é a morte eu resolvera exclui-la de meus pensamentos e  trabalhar somente nas coisas que pudessem permitir uma vida melhor e sobre as quais fosse permissível uma atuação individual. O interessante é que essa idéia me proporcionou muitas coisas boas, principalmente viver sem ter medo. Não ter medo  principalmente de enfrentar situações definidas socialmente como inaceitáveis meramente baseadas em preconceitos. Sempre frequentei ambientes e cursos diversificados sem o menor constrangimento. Gosto de conhecer pessoas e ambientes diferentes e gosto de pensar que transmiti isso aos meus descendentes. Meu filho mais velho tem 65 anos e  é superitendente de uma ONG, no Rio de Janeiro cuja finalidade é fazer pequenos emprestimos para pessoas pobres que precisam de ajuda financeira para montar pequenos negocios, ONG  essa que foi escolhida pelo governo como a melhor nesse setor e funciona hoje  juntamente com o Banco do Nordeste. Ele é formado em DIreito pela USP, em Filosofia pela PUC e economia pela Universidade de Louvain , Belgica, onde fez também mestrado. A última noticia que tive é de que vai fazer doutoramento em História.
       Que tem tudo isso a ver com a morte do Professor Pavan? Tem tudo porque é o resultado do que   penso sobre a morte. Analisando a vida do Prof. Pavan  o que mais sobressai não é a sua longevidade,  é ter deixado atraz de si um rastro de coragem, de trabalhos e pesquisas importantes que o definem como o pai da genetica no Brasil Os amigos nunca o esquecerão,  nem os alunos que preparou para perpetuar o  seu amor a ciencia que ele procurou divulgar até os seus últimos dias deixando especialmente a sua marca no Curso de  Divulgação  CIentífica da ECA/USP.

   Viver e morrer, esse mistério indecifrável não é na realidade, uma mesma coisa?
   Por que nascemos? Por que morremos?
   A  única coisa certa é que a trajetória desse percurso deve ser feita com amor, com inteligência, numa busca incessante da melhoria da vida humana, e isso o prof. Pavan deixou como o seu legado principal.
  Ele foi um marco inesquecível para os que viveram a seu lado.


   Edith Cavalcanti
   Psicanalista
   Ex  aluna do Curso de Divulgação Científica ECA/USP



Escrito por edith às 16h59
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